Às vésperas do Dia da Consciência Negra, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aliviou a pena do Brusque e devolveu os três pontos que haviam sido perdidos na tabela de classificação após o caso de injúria racial cometido pelo até então presidente do Conselho Deliberativo do clube, Júlio Antonio Petermann, contra o jogador Celsinho, do Londrina. Os catarinenses agora vão a 44 pontos, sobem para o 14º lugar e ficam perto da permanência na segunda divisão.
Na decisão, a maioria divergiu do relator Maurício Neves Fonseca, que defendeu a permanência da perda de pontos do time na Série B. No entanto, os auditores seguintes votaram para que o Brusque fosse punido apenas com multa e suspensão do dirigente, mas sem a perda de pontos na tabela.
Assim, o presidente da sessão, José Perdiz, determinou a perda de um mando de campo e o pagamento de multa de R$ 60 mil para o Brusque. A punição a Júlio Antônio Petermann, identificado como autor da declaração racista, foi mantida: suspensão por 360 dias e multa de R$ 30 mil.
O Brusque e o conselheiro foram enquadrados no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e responderam por “ato discriminatório”.
A decisão causou revoltas entre os presentes principalmente pelos argumentos usados pela defesa do Brusque. Entre os eles, dizeres como “o cabelo dos funcionários do Brusque parecem com o do Celsinho e eles não acham que é racismo”, que “racismo sempre existiu”, e “se chamarem o cabelo do David Luiz de ninho de abelha é racismo?”..
O Brusque e o conselheiro foram enquadrados no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e responderam por “ato discriminatório”.
A injúria racial aconteceu em agosto, em partida pela Série B do Brasileiro. Na ocasião, o Celsinho relatou que foi chamado de macaco por alguém que estava no camarote do estádio do time catarinense, assistindo à partida. Em nota, o Brusque afirma que o jogador “é conhecido por se envolver neste tipo de episódio” e usou aspas para falar sobre a perseguição que o atleta vem sofrendo.
“De fato aconteceu [de ser chamado de macaco]. Não sei se ele faz parte da comissão técnica, da diretoria, um senhor de vermelho, que se encontra no camarote. Também não entendo por que tem tantas pessoas assim em um protocolo, uma situação em que não estão liberados torcedores, termos uma quantidade assim. É lamentável”, disse Celsinho em entrevista ao Premiere após o jogo.

“O atleta, por sua vez, é conhecido por se envolver neste tipo de episódio. Esta é pelo menos a 3a vez, somente este ano, que alega ter sido alvo de racismo, caracterizando verdadeira “perseguição” ao mesmo. […] Racismo é algo grave e não pode ser tratado como um artificio esportivo, nem, tampouco, com oportunismo”, diz a nota do Brusque.
Na partida em questão, o árbitro Fábio Augusto Santos Sá Junior registrou na súmula que um integrante do staff do Brusque falou: “Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”.
Esta não é a primeira vez que o jogador foi alvo de racismo na Série B do Campeonato Brasileiro. No dia 17 de julho, em jogo contra o Goiás, o narrador Romes Xavier e o comentarista Vinícius Silva, da Rádio Bandeirantes Goiânia, fizeram comentários racistas em relação ao cabelo do atleta. Eles foram afastados de suas funções.
No dia 23 de julho, ele voltou a ser alvo de injúria racial. Desta vez, o autor do comentário foi Cláudio Guimarães, da Rádio Clube do Pará, que comparou o cabelo do atleta a um ninho de cupins. Ele também foi afastado pela emissora.
Após as redes sociais do Brusque serem tomadas por críticas de torcedores, dois atletas do próprio clube se manifestaram em apoio ao jogador do Londrina, contrariando a nota oficial. Os atacantes Diego Mathias e Edu e o lateral-direito Edilson Junior publicaram a mesma imagem com a mensagem: “Diga não ao racismo”.
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— dg (@dg_mathias27) August 29, 2021
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— Edu Júnior 9 (@Junior9Edu) August 29, 2021